AMEAÇA SILENCIOSA. A DESCOBERTA DOS BENEFÍCIOS DE UMA ATIVIDADE FÍSICA CONTINUADA SOBRE A QUALIDADE DE VIDA DAS PESSOAS COM DIABETES

Um dia desses encontrei uma amiga que há muito não via. Vou chamá-la, aqui, de Sophia. Sophia estava muito bem, em ótima forma, mais bonita e, certamente, mais saudável do que na época que estudávamos juntas, anos atrás. Bem, papo vai, papo vem, Sophia me diz que a mudança física e comportamental deve-se a uma triste notícia

Para que vocês se familiarizem com o que escrevo a seguir, Sophia vivia acima do peso, levava uma vida sedentária e não tinha hábitos alimentares saudáveis. Era jovem e sem doenças graves no histórico familiar, condições que, a seu ver, asseguravam-lhe uma vida longa e bem vivida como a de sua avó materna que acabara de celebrar seus 93 anos de pura lucidez, boa forma e lindas histórias para lembrar. Mas, o que Sophia não sabia é que nem tudo é genética.

Contou-me que há alguns meses sentia cansaço com frequência, tinha muita sede e vinha perdendo peso sem dieta ou qualquer outra mudança significativa de seus hábitos. Pensou que, talvez, fosse o estresse das últimas semanas. Emagrecer sem esforço algum, para Sophia, parecia ótimo. Mas, e aquela constante sensação de fraqueza, mesmo após horas de uma noite bem dormida?

Durante uma consulta de rotina, o médico solicitou um hemograma completo para simples verificação. Ao abrir o envelope do exame, a desagradável surpresa ao deparar-se com os 130 mg/dL de glicose lá destacados. Sophia acabara de ter confirmado o diagnóstico do diabetes. Ao ver suas certezas ruírem, aquela fora a pior das notícias. Sophia agora fazia parte dos cerca de 13 milhões de brasileiros que têm diabetes tipo 2, categoria da doença desencadeada, principalmente, por excesso de peso e sedentarismo.

Pesquisei e entendi que no diabetes tipo 2, o pâncreas continua produzindo insulina, hormônio que permite a entrada de glicose na célula gerando, assim, energia para todo o corpo. A questão é que as células não conseguem metabolizar glicose suficiente, tornando o indivíduo resistente à insulina.¹

Entrei em contato com um amigo especialista, Dr. Filippo Pedrinola, renomado endocrinologista, membro da Endocrine Society (EUA), da Associação Brasileira de Estudo sobre Obesidade (ABESO) e Associação Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEN). Ele me explicou que o diabetes é uma doença lenta e silenciosa e que só manifesta seus sintomas mais graves quando em estágio avançado, podendo comprometer vários órgãos. Ele ainda alertou para a falta de informação e o conhecimento tardio da própria condição, fatos que prejudicam o acompanhamento devido do tratamento. “Surpreendentemente, metade dos indivíduos portadores de diabetes não sabe que é diabética”, completou.

De volta à Sophia.

Passaram-se alguns meses até que minha amiga se conscientizasse de sua nova condição para, então, agir, já que uma vez que a doença estabeleça residência fixa em nosso corpo, não há como despejá-la. O jeito, então, era aceitar. Nada como o tempo para que Sophia começasse a esboçar o desejo de protagonizar um roteiro feliz e saudável, sem as tristes complicações que afetam o diabético descuidado como as doenças cardiovasculares, as amputações de membros, os problemas renais e a perda da visão. Entretanto, o novo papel exigiria da mocinha comprometimento para seguir à risca três pilares fundamentais do tratamento: medicamento, dieta apropriada e exercícios físicos regulares. Com muita fibra, literalmente, hoje, Sophia tira de letra o controle da glicemia e não faz cara feia na hora do remédio. Não perde de vista os carboidratos ingeridos, faz musculação diariamente e, pasmem, a corrida é seu esporte favorito.

Nunca é tarde…

Vejam, então, porque Sophia estava muito bem quando a encontrei. Minha amiga ratifica as últimas pesquisas na área que apontam alimentação saudável e prática de atividade física regular como a solução – bem saudável por sinal – para uma boa qualidade de vida aos que já têm a doença e redução de qualquer chance de desenvolvimento dela naqueles indivíduos mais vulneráveis. O ilustre pesquisador e professor inglês Rury Holman, da universidade de Oxford, e autor de estudos sobre os benefícios da atividade física na prevenção e no controle do diabetes, não hesitou ao afirmar: “O tratamento mais bem sucedido para alguém com alto risco de diabetes é dieta e exercício físico”.

Em um dos inúmeros estudos realizados, indivíduos sedentários e com resistência à insulina foram submetidos a um programa combinado de malhação e exercícios aeróbicos durante algumas semanas. Os resultados revelaram uma dramática queda nos índices determinantes do risco.Sophia confessa que o desejo de viver muito bem lhe obrigou a adotar um estilo de vida verdadeiramente saudável.

Hoje, ela sabe que, com disciplina e respeito à nova rotina adquirida, é possível conviver bem com o diabetes. Além de todos os cuidados necessários com alimentação e forma física, o querido Dr. Filippo ainda ressalta a importância que devemos dar ao nosso equilíbrio mental. “Cuide do emocional para evitar que o estresse crônico tome conta de você, pois essa condição leva ao excesso de produção de cortisol, o que também favorece o aparecimento de diabetes”, completa.

É por isso que eu insisto e repito de maneira exaustiva: conheça na prática os benefícios da atividade física para uma vida ativa e plena de realizações. Você só tem a ganhar com a malhação nossa de cada dia.

Referência:
Sociedade Brasileira de Diabetes

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